quarta-feira, 28 de maio de 2014

E quando amar, dedique-se...

Bom dia mensageiro,

Hoje tenho a felicidade de te entregar, e abençoar, a última das mensagens que te havia prometido.

Somente com o sofrimento e a dor aprendemos a amar. Deus, bom e infinitamente justo, entende que na escola terrena, a dor é dádiva indispensável para a evolução espiritual.

É aprendendo a amar que vencemos os medos, as crises e as inseguranças. O amor, único poder real na terra, é fonte ilimitada de bençãos e maravilhas. Somente quem ama, respeita. Somente quem ama, educa. Somente quem ama, humilha-se.

O amor abate o orgulho, a presunção, a pretensão, a vaidade, a ingratidão, a solidão e a enfermidade. Nessa dimensão material são realmente poucos os que aprenderam e souberam amar. O caminho é o amor, a verdade e a vida; o caminho é Jesus.

A tristeza que abate muitos corações, nada mais é que ausência de amor, por si mesmo e pelos outros. Eu, Gabriel, testifico que o amor de Deus é inesgotável e, que somente através dEle, pode-se sarar as feridas, curar as doenças e ter fé sólida, pois o amor só se manifesta através da doação e renúncia.

Muitos Caboclos, Ciganas e Pretos, dos nossos terreiros, se purificaram no amor que tudo tolera e em tudo é paciente. Somente quem ama profundamente consegue oferecer a outra face, lembre-se disso.

Finalizo oferecendo uma humilde prece:

"Senhor Jesus,

Guia dos guias, Mestre dos mestres, Senhor dos senhores.
Bendizemos o teu santo nome em glória ao Pai que é todo amor, todo justiça.

Gratos somos a Ti pela caridade infinita e pela humildade que exalta;
Gratos a Ti pela misericórdia que tolera as nossas imperfeições;

Te pedimos luz e paz para continuar o Teu trabalho de apoio aos necessitados:

Trazei a nós os enfermos, e os curaremos;
Trazei a nós os perturbados, e os orientaremos;
Trazei a nós os imundos, e nós os limparemos;
Trazei a nós os penitentes, e nós os aliviaremos;
Trazei a nós os malditos, e nós os abençoaremos;
Trazei a nós os sofredores, e nós os consolaremos;

Senhor arastes a terra e destes o arado, é hora de trabalhar na semeadura sagrada.

Bendito és tu Senhor que nos prova a cada minuto. Te amamos e louvamos mais que tudo, pois só Tua é a Glória, hoje e sempre.

Que assim seja."

Teu humilde servidor,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

quinta-feira, 22 de maio de 2014

E quando se magoar, desculpe...

Evitemos machucar o coração dos nossos semelhantes. As palavras ferem muito mais do que mil facadas. A traição e a injuria podem marcar profundamente a alma de um ser pensante.

Controlar o que dizer, eis uma virtude de poucos, que evitam ferir os sentimentos alheios. Sejamos nós portanto, como lembrava o Dr. Bezerra, sempre os ofendidos, jamais os ofensores;

Sejamos sempre os agredidos, jamais os agressores;
Sejamos sempre os caluniados, nunca os caluniadores;
Sejamos sempre os perseguidos, não os perseguidores.

Portante, magoar-se é, para nós uma dádiva. Oportunidade única de exercitar o perdão e a caridade. Sem isso, onde estaria o mérito?

Muito atenciosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

E quando se ofender, compreenda...

É natural, no planeta terra, que tenhamos desilusões. A dor da mágoa e da ofensa imperam, quase sempre, em corações orgulhosos e endurecidos. O orgulho ferido, gera um desânimo tão profundo, que nos leva facilmente à depressão.

Resultado imediato da ignorância de si mesmo, o ser vivente é como batalhador no campo da harmonia, buscando a felicidade, muitas vezes, onde ela não existe.

A contrariedade, a falta de respeito e de caridade, são tantas outras formas de ferir impiedosamente. Aquele que não despertou para a caridade, não sabe relevar, não aceita a tolerância, não se permite esquecer as ofensas.

A elevação moral, portanto, silencia perante a ofensa, porque compreende o ataque ao amor-próprio. Entende que o seu próprio personalismo é alvo constante de ataque. Seja através do ciumes, da inveja ou da calúnia.

O ofendido é, então, vitima de si mesmo. Os conflitos internos e contraditórios fazem sofrer aquele que ainda não despertou a sua consciência para o infinito amor ao próximo.

Não somos nada diante do cosmos universal, poeira interestelar de luz e amor, que só adquire vida real após a compreensão racional do seu objetivo principal: a perfeição divina.

Precisamos deixar de lado as desavenças e contrariedades, para nos submergir na caridade sem fim, amando e perdoando as ofensas. Por sabermos da onde vem estes sentimentos nefastos, um dia, serão completamente erradicados do nosso Espírito.

Muito atenciosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

Tribulação

Olá mensageiro,

Estamos cientes do momento delicado que estás passando. Teu coração está em chamas, tua mente perturbada e tua alma dolorida, sabemos.

No entanto, devemos te dizer claramente que estes são os resquícios finais do orgulho e do egoísmo que estão se esvaindo. Dedicado à luta, não desanimes, não pense em desistir. Os recursos estão ao teu dispor, usa-os.

Não temas. O inimigo te baterá a porta constantemente, em tempos regulares, para provar a tua fé e a sabedoria que já acumulastes. Não se permita entregar ao desânimo, eis a porta escancarada aos irmãos ignorantes.

Mantenha a confiança em Deus e em ti. Essa fé inabalável só será posta a prova durante a tribulação. Deus te fez de amor, de caridade e de verdade. Permaneça fiel, sem esmorecer. Os ataques a ti dirigidos são golpes em pluma, movem, mas jamais machucam. Das tuas chagas, das mágoas só devem sair amor e perdão.

Seja luz. Nada é mais nítido do que um servo de Jesus em serviço, já viste alguns deles, e verás muitos mais. No futuro, te contabilizarás com os leais a Cristo, provando e dando Glória a Deus, pois esta é a finalidade.

Seja sal. O tempero da alegria é a crença em si mesmo diante de Deus, é a consciência desperta diante da realidade, tal como é. Não exagere nas palavras, reflita e equilibre-se. Nesse momento tuas palavras podem ferir, pois as sensibilidades vibram teu sistema nervoso.

Retenha-se ao necessário. Permita-se repousar e refletir, sem jamais deixar de seguir em frente. Passos lentos, mas adiante. A tribulação que está por vir, ainda é pior que esta, já avisada anteriormente, mas deverás resistir ao toque do silêncio com amor e retidão.

Busque Jesus. Lembre-se que alguns espíritos só podem ser removidos à custa de muita oração e jejum, por isso abstenha-se de alguns hábitos, ao menos por enquanto.

Te desejamos muita força, coragem e paciência. A tribulação é passageira.

Com muito amor,

Apleael, Plísios e Elésias, teus guias espirituais

terça-feira, 20 de maio de 2014

E quando sentir, compartilhe...

Todos nós, Espíritos imortais, temos sensibilidades mais ou menos aguçadas. A capacidade de perceber uma e outra realidade está diretamente associada ao exercício da Caridade. Quanto maior é a doação de amor, mais elevada é a receptividade emocional.

É amando que se é amado.
Deus é Amor.

Os sensitivos são médiuns muito emotivos e sensíveis, capazes de se emocionarem em um simples gesto de amor e caridade. Percebem mais facilmente a presença interdimensional invisível. Sua faculdade senso-percepção independe da sua evolução moral ou intelectual.

A caridade é a salvação.
Jesus é a Verdade.

Sentem o Espírito Puro lhes tocar, como um músico se emociona à uma melódica nota de Celo. A felicidade então lhes invade o corpo físico, trazendo-lhes lágrimas aos olhos e copioso pranto sublime.

A dor é a corrigenda.
O Espírito Santo é a Caridade.

O Espírito, porém, toca somente o servo devotado. Que serve e humilha-se perante as tempestades mundanas. Ama acima de tudo, quaisquer irmão que lhe implora aconchego. Perdoa sem condições e auxilia sem exigir reconhecimento.

O perdão é libertação.
Mediunidade é Vida em santidade.

Sabe que esse bem estar espiritual deve ser partilhado com todos, sem restrição de classe, credo ou raça. A presença é dádiva e, como tal, precisa ser necessariamente repartida, como pão nosso de amor e luz.

Muito cordialmente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

E quando pecar, arrependa-se...

O pecado foi interpretado, ao longo do tempo, de várias maneiras. No meu ponto de vista, pecado significa "equívoco". É fácil compreender o erro, quando se está de longe; é muito mais difícil reconhecer o erro, quando se está "errado". Apontar erros nos outros é simples, mas é uma tarefa muito dolorosa enxergar os próprios erros.

Somos todos pecadores, uns mais, outros menos; enquanto não chegarmos à perfeição, ainda estaremos sujeitos às diabruras do deslize consciente.

Sim, eu disse, consciente. Porque o bruto, o ignorante, aquele que desconhece as Leis de Deus, não pode ter a mesma sentença daquele que conhece o painel espiritual.

As nossas criações dependem muito da nossa harmonia com o Ser Superior, com os bons anjos e com as pessoas que nos cercam. A tolerância ao erro alheio gera, em certa medida, indulgência para com os nossos.

Por isso devemos amar o pecador, jamais o pecado. O mal praticado conscientemente é sempre um equívoco daquele que desconhece as Leis, pois se as conhecesse, ao menos um terço da capacidade de alcance delas, jamais cometeria crime algum.

O exercício é olhar a si mesmo e avaliar-se:

Não persistir na mentira, se a Verdade o chamar;

Não insistir no erro, se conhece o caminho certo;

Não continuar nas trevas, se reconhece a luz;

Não permanecer no mal, se pode praticar o Bem;

Não reproduzir a calúnia, se entende a Caridade;

Não ofender, se aprendeu a amar.

Arrepender-se é reparar todo o mal com o Bem, é amar além do normal, é renunciar a si mesmo em favor dos pequeninos de Jesus.

Deus o abençoe meu filho,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

terça-feira, 13 de maio de 2014

E quando doer, perdoe...

Durante o percurso na terra seremos constantemente atacados. A mais duras ofensas partirão das pessoas que mais amamos. A influência astral, que permeia a todos, os entorpece tanto quanto a um médium obsidiado. Nossos adversários, procurando uma maneira de atingir os obreiros do Bem, encontrarão porto seguro nos entes que nos rodeiam.

O pensamento familiar é, acima de tudo, reduto celeste. Precisa, por isso mesmo, ser preservado e vigiado na intensão de prevenir as investidas de Espíritos decididos a acabar com a felicidade na terra. Cada um precisa cuidar do seu entorno, a responsabilidade é de todos. Infelizmente, ainda não são todos conscientes da comunicabilidade dos Espíritos pelo pensamento e atitudes.

Então, familiares e amigos serão covardemente utilizados pelos inimigos do Amor e da Caridade. Ofensas diretas poderão ser direcionadas a quem mais trabalha com amor e abnegação. Pessoas inconscientes do seu estado psíquico, não acreditam serem médiuns, ou se acreditam incapazes de auto-controle. Isso se dá principalmente pela ignorância e lapso de leitura.

Quando dirigirem a ti ataques ofensivos, críticas, julgamentos descabidos tenha piedade do fantoche à tua frente. É alvo das mais duras perturbações humanas: a inconsciência mediúnica. A criatura que julga tudo saber da vida do outro, nada mais é que manipulada por ardilosos peregrinos das trevas.

A serenidade sempre auxilia na observação útil destes fenômenos. Com calma perdoe o irmão que te ataca levianamente. Abençoe o espírito trevoso que o domina, inspire-lhe o amor e a paciência. Ore silenciosamente perto dos mais perturbados. Espante a escuridão com o archote da tua luz.

Muito cordialmente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

E quando chorar, ore...

A oração é balsamo sublime, única forma de ligação com o Ser Superior. É uma conexão estabelecida de inteligência a inteligência, maneira singular de enviar e receber energia psíquica higienizando e ofertando os fluídos universais.

Orar é proteger-se contra todo o mal, é precaver-se do erro e estar alerta às situações. Inevitavelmente, hora ou outra, caímos em desânimo estarrecedor, vítimas da nossa própria ignorância e incompreensão. São os inimigos de nós mesmos, os auto-obsessores que se perseguem a si, em cobranças demasiadas, sem demonstrar a mínima confiança em Deus. Nesses momentos a oração é luz.

Clareia-nos o caminho através do diálogo interno com Deus, permitindo a entrada do conhecimento elevado dos bons espíritos, afastando toda a treva. Ora, luz é conhecimento, e auto-conhecer-se é iluminar-se a si mesmo. Durante penoso sofrimento a oração serve como base de intercâmbio, permitindo sintonia com o Criador, pensamento elevado e confiante como fé sincera e verdadeira.

Quando as lágrimas rolarem erga as mãos ao alto e ore. Clame com fervor e sinceridade o auxílio de Deus, que jamais desampara um filho em desespero. Eu sei que as dores podem ser angustiantes e terríveis. Fui traído pelo meu irmão de batina, preso, garroteado, ridicularizado e depois queimado na fogueira da iniquidade, mas em nenhum momento deixei de elevar meus pensamentos e agradecer a Deus, pelos anjos que me anestesiavam e pelas palavras que me confortavam.

Sei que Jesus fez o mesmo por mim, dando sua vida para a remissão dos meus pecados. E, então, por Amor e pela Verdade entreguei a minha vida por Cristo.

Orem e orem muito.

Carinhosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

quinta-feira, 8 de maio de 2014

E quando ganhar, agradeça...

Sim mensageiro, é verdade. Fui preso logo após o terremoto de 1755. O pavor e o medo espalharam-se por Lisboa, naquelas tardes sombrias perderam-se mais de 10 mil almas. Vozes muito nítidas em meus pensamentos me informavam da causa cármica do incidente. Logo, muito naturalmente, informei a todos a causa do sismo, como castigo divino. Muito tempo depois Teilhard de Chardin, companheiro Jesuíta iria afirmar: "verdades antes do tempo, correm o risco de se tornarem heréticas." Ai, como gostaria de tê-lo escutado.

Na prisão, garroteado, fui acusado de demência senil. Mas não era isso, estava simplesmente consciente da minha mediunidade. Começava ali meu trabalho mediúnico, juntos às tribos da terra que tanto amei. Não guardo nenhuma mágoa nem rancor, desde o processo dos Távoras, até Pombal, perdoo-lhes de coração aberto.

Quando fundamos a Irmandade da Boa Morte, no Brasil, buscamos abrigar mulheres adulteras e prostitutas, educando-as e transformando-as em grandes estudiosas do evangelho de Jesus. Digo "nós" porque hoje sei que contei com o auxílio de muitos Espíritos benevolentes, entre eles Ana e Doroteia.

Visto que peregrinei, pés descalços, entre tribos hostis, fundando casas de amparo e amor, sei que hoje ganhei. Sinto-me sim, um vencedor porque venci o mal. O mal do orgulho e do egoísmo. E ainda afirmava, em Portugal, que somente socorrendo as vítimas do terrível terremoto poderíamos ter alguma misericórdia de Deus. Ganhei, sem dúvida, porque amei a Deus e confiei na minha intuição. Inspirava-me nas vozes dos anjos que foram incansáveis em me orientar.

Por isso, agradeço:

Senhor Jesus,

Muito obrigado pelo perdão oportuno,
Pela alma acalentada, pela voz ouvida,
Queremos-te no amor de nosso regaço,
De braços abertos e paz estendida.

Obrigado Senhor pela água que jorra,
Pela palavra que consola,
Pela alma que canta, pela brisa que acalma,
Fica conosco para sempre.

Obrigado Senhor,
Pelas flores desabrochando,
Pelos pássaros em canto,
Pela alma emocionada.

Auxilia-nos na jornada,
Dê ao Espírito coragem,
Ao corpo força e saúde,
Ao carácter humildade.

Muito carinhosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

E quando acabar mal, recomece...

Existem sempre inúmeras desculpas para evitar a jornada. É sempre muito simples encontrar motivos para desistir. Não é essa, portanto, a mensagem de Jesus. A transformação é lenta e gradual, nada dá saltos em a natureza. Empenhar-se por melhorar o aspecto moral do Espírito é lutar constantemente contra as íntimas asperezas da alma.

Não basta ser bom, é preciso ser paciente e compreensivo. Muitas ofensas terminam em graves perturbações pela simples ausência do perdão, e só perdia quem ama. São nas relações humanas que somos constantemente testados, percebendo, pouco a pouco, a cegueira da humanidade que insiste em idolatrar o ego e maldizer a outrem.

As vezes cedemos ao desânimo. Tomados de súbita tristeza nos vemos desacreditados de nós mesmos. Sem perceber o absurdo em que nos encontramos, rogamos a Deus para que nos livre da desdita ventura. Isso, porém, são apenas buracos na estrada. Ninguém se fortaleze durante a inatividade do ócio. O ferro só é curvado através do calor do fogo e do porrete metálico.

Confundidos, às vezes, deslizamos equivocados. E o que começamos bem, acaba mal. Projeta-se a culpa a outrem ou tortura-se em dolorosas agonias questionadoras de sua capacidade física e mental. Esquecendo de Deus o homem se atira ao desespero e ao queixume sem fim. Mas quando isso acontecer, quando chegar a esse limite... Na fogueira, eu disse:

Pai celeste,

Sou fraco, dai-me as tuas forças;

Sou pequeno, dai-me a grandeza da paciência;

Sou desarmado, dai-me a lança da coragem;

Sou desnudo, daí-me a vestimenta da fé;

Sou ignorante, dai-me o conhecimento da verdade;

Sou néscio, dai-me a vontade de lutar;

Sou pobre, daí-me a riqueza da caridade.

Sou Teu filho e estou indo ao Teu encontro.

Mentalizando Deus e Jesus, jamais senti as dores das chamas, desmaiando em braços amorosos, hoje vejo que o que acaba mal, nada mais é do que um feliz recomeço.

Muito cordialmente!

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

quarta-feira, 7 de maio de 2014

E quando perder, aceite...

É muito comum perceber almas apegadas aos bens materiais. Algemadas aos objetos transitórios, atribuindo valores monetários astronômicos a coisas inanimadas. Destituídas de sentido e vida, esses artefatos passam a ganhar um valor simbólico brutal e falso. É desse valor, atribuído às coisas, que se originam os conflitos materiais.

O apego demasiado à estes bens imobiliza a alma e cega o Espírito. Abrir mão de tais bens é um ato impensável para almas ainda desejosas de riquezas, profundamente identificadas com a imagem do poder que exalam de si mesmas. Iludem-se ao pensar que o poderio econômico às representa como pessoa.

Alguns passam mesmo a acreditar que a riqueza os torna pessoas melhores e generosas, enganam-se a si mesmos, doando quantias monetárias em troca do perdão de suas defeituosidades. Tudo, porém, não passa de terrível equívoco. O dinheiro não é nada. A riqueza de qualquer origem é dura provação. Jesus ainda asseverava: "Mais fácil passar o camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus." Mateus 19:23.

Se acumulou fortuna ociosa ao redor de si, foi porque não doou o suficiente, privando outros do necessário.

O apego aos bens terrenos é o mais duro obstáculo à salvação do Espírito imortal. Não é livrar-se destes bens, mas fazer uso da riqueza para o bem de todos. É desapegar-se das posses, doando de si e das coisas, exercitando a caridade para derrota total do egoísmo.

Ninguém perde o que lhe é apenas de empréstimo. O que não é seu não pode ser perdido. Tudo nos é emprestado por Deus e tudo devolvemos ao regressar aos braços do Pai. Se perder, aceite, sem lamúrias, sem queixumes.

Muito carinhosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

terça-feira, 6 de maio de 2014

E quando errar, corrija...

O ser humano, incrivelmente adaptado ao plano terrestre, não se preocupa em entender sua realidade psíquica. É como esponja ao transitar pelos vales emocionais da dor e do escárnio, como bola a rolar para lá e para cá.

Isso porque ainda não aprendeu a amar. Conhece-se pouco e, a cada instante, preocupa-se mais consigo mesmo do que com o próximo. Assim é construtor de inabalável amor-próprio, exaltador inquebrantado do seu personalismo egoísta. Doa-se pouco e quando o faz demonstra firme interesse em divulgar seus pseudos atos de caridade.

E, com isso, erra duramente na prática do Bem. Não se humilha na ofensa que lhe é dirigida, reage como louco, retribuindo o doloroso golpe no seu orgulho ferido. Tolo, tolo. O amor é a cura, o perdão é bálsamo sagrado e ambos estão em nossas próprias mãos.

O erro tem base na ignorância. Se o homem conhecesse a extensão do seu deslize, jamais o cometeria. Erra, portanto, porque desconhece e ignora a causa do seu malgrado. Todos erramos, ontem, hoje e amanhã, isso é natural e inevitável. Atrapalhamo-nos com o que nos é dado, ainda pela imaturidade e apego aos bens materiais.

No futuro, quando nos regenerarmos, o erro será considerado como grave patologia e tratado imediatamente em nosocômios de amor. Ao errar, portanto, temos a oportunidade de reparação, nos é concedida a vez de nos humilhar e pedir perdão. Com isso tentar reparar nossas falhas, oferecendo nosso lado "desprotegido" para o ofensor. Amando, amando sempre.

A correção é arrependimento. Mudar o pensamento para melhor, refletir e não cometer o mesmo desatino. Corrigir é amar a si mesmo e ao próximo.

Muito atenciosamente,

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas

segunda-feira, 5 de maio de 2014

E quando falhar, tente novamente...

Quando fracassamos advém-nos um sentimento doloroso chamado frustração. Esse movimento de tentar cumprir uma tarefa, qualquer que seja, e não conseguir, gera um desânimo e uma espécie de descrença em si mesmo.

Isso tudo, porém, é ilusão. Nada compreende o homem da sua realidade imediata restando-lhe, portanto, confiar cegamente em Deus. E não sabe o homem de sua realidade, não porque não o quer, mas porque de fato não vê, não percebe.

Em medida que o Espírito vai evoluindo começa a antever uma dimensão etérea, senti-la também, respirá-la e conviver com outra realidade. Compreende que está em progresso e que suas imperfeições lhe causam dor. Aprende que se "mentir" colherá, inevitavelmente, os resultados da realidade falsa que criou.

As vezes, no entanto, erigimos sonhos. Criamos expectativas e ideais que pretendemos realizar. O Espírito vai lentamente se envaidecendo de sua empreita, buscando e trabalhando. Segue em frente com o projeto, alavanca-se e brilha. Acontece que Deus não erra, não se engana e não se ilude.

Aí o Espírito humano, com as suas imperfeições, falha e culpa a Deus. A frustração da falha de sua empresa se torna, para ele, um tormento inútil. Castigando a si mesmo pela fratura de seus planos que a muito estavam fixados em sua mente.

O ser humano é sensitivamente impressionável, por isso é tão facilmente obsediável. Com a madureza do pensamento desapega-se da matéria lentamente, espiritualiza-se por confiar em Deus e trabalha constantemente para reerguer o que derrubou.

Sempre que falhar é necessário tentar de novo. É como se Deus fornecesse a prova e a nós a persistência e a perseverança. E a nós mesmos a grande vitória de poder afirmar no futuro: EU NÃO DESISTI.

Muito atenciosamente!

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

E quando cair, levante...

É muito natural a queda em um mundo onde o orgulho predomina. Quando o cálice transborda, Deus o vira, alternando toda a realidade do ser humano. O quadro vira, a roda gira. A vida é cíclica e, aquele que estava encima vem para baixo e vice-versa (os últimos serão os primeiros, segundo Oxalá). Não pela ardilosidade de uma divindade irracional, mas pela Lei de Amor mostrando claramente que Deus é uma inteligência soberana e operosa.

O soberbo e o ególatra chegam ao ápice do escárnio. Chafurdando na exposição do ridículo a todos que os interpelam. São quais animais instintivos ao farejarem os medos e as inseguranças do próximo a quem deveriam amar. Humilhando a todos os que se aproximam expondo as suas fraquezas. Pois bem, aos soberbos e aos prepotentes Deus guarda a queda, o tombo, a frustração.

A nós nos cabe o exercício da humildade. Humilhando-nos e sendo submissos às chibatas ardentes da presunção. Evitando cair, nós mesmos, nas ciladas do amor-próprio e do personalismo. Oxalá, Nosso Senhor, é amor puro que emana de cada ferida. Sem lamuriar-se, sem queixar-se, entregou todo o seu Ser por nós, em extrema submissão e humildade.

No diálogo inter-pessoal temos a maior prova de quem é quem. Palavras ardentes e carregadas são sempre indícios de inferioridade, enquanto que palavras serenas e mansas são quase sempre evidências marcantes de doçura e mansuetude, isto é, evolução moral.

Então, quando a dura queda derrubar doloroso personalismo egoísta... Levantemo-nos. Agradecendo a Deus a oportunidade de reerguermo-nos novos e animados. Essa nossa criatura que se levanta é, agora, espírito consciente de si mesmo, de sua fragilidade e de seu compromisso com a harmonia universal.

Gabriel Malagrida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.